Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social
Mês do Orgulho LGBTQIA+: existir, resistir e recomeçar

“É uma luta diária. Todas as pessoas têm direito à dignidade, ao trabalho, à educação e à saúde. Pessoas trans são pessoas, são dignas de ter uma vida.”
O desabafo de Larissa Silva, mulher trans acolhida pela Casa Florescer, sintetiza a realidade de milhares de pessoas LGBTQIA+: trajetórias marcadas por preconceito, exclusão e rupturas que, frequentemente, começam dentro de casa e comprometem o desenvolvimento de projetos de vida.
O diagnóstico dessa vulnerabilidade se tangibiliza nos dados oficiais. De acordo com o Censo da População em Situação de Rua de 2021, os conflitos familiares são a principal motivação para a ida ou permanência das pessoas nas ruas. Dentro desse universo, os fatores motivacionais ligados diretamente à orientação sexual e identidade de gênero aparecem na 8ª posição, respondendo por 4,3% dos registros.
A resposta da Prefeitura de São Paulo a esse cenário aposta na reconstrução de trajetórias, superando a lógica do abrigo temporário. De acordo com dados da Coordenação do Observatório da Vigilância Socioassistencial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (COVS/SMADS), entre 2021 e 2026, a rede socioassistencial realizou 5.279 acolhimentos voltados à população LGBTQIA+. Como resultado, mais de 20% dos atendidos (1.402 pessoas) conquistaram a "saída qualificada", retornando ao convívio social com independência e vínculos fortalecidos. Quando observados os dados da população transgênero, o município registrou 4.242 acolhimentos e 929 saídas qualificadas no período.
Atualmente, a rede socioassistencial de São Paulo dispõe de seis serviços voltados exclusivamente ao público LGBTQIA+, totalizando 350 vagas especializadas:
- Casa Florescer João W. Nery
- Casa Florescer I
- Casa Florescer II
- Casa 9 de Julho (Casa Florescer IV)
- CAE Hotel Borba – CRDC (atendimento para mulheres cis, mulheres trans e mulheres com até dois filhos)
- CAE para Mulheres Transexuais Casarão Brasil
Nesses serviços, o objetivo é reverter o histórico de violência de gênero que vulnerabiliza essa população. Para Patricia Assis (38), psicóloga da Casa Florescer I, que atende mulheres transsexuais, os danos impostos pela transfobia interferem no desenvolvimento do indivíduo.
“Elas são impedidas de se desenvolver socialmente, de trabalhar a própria expressão de si no mundo e o processo de individualização; de trabalhar o pertencimento a grupos, algo que faz toda a diferença na vida de qualquer pessoa”, explica.
Para quebrar esse ciclo, a equipe técnica utiliza o Plano Individual de Atendimento (PIA), uma ferramenta estratégica que desenha metas personalizadas para cada acolhida, articulando desde o acesso à saúde até a qualificação profissional. Foi esse suporte que permitiu a Alfredo Hiluany Neto, acolhido no Hotel 9 de Julho, vislumbrar um novo horizonte.
“Quando eu cheguei aqui, eles me deram total suporte psicológico, orientação com a equipe técnica e ajuda nas diversas formas possíveis”, conta.
Neste Mês do Orgulho, a SMADS reafirma seu compromisso em transformar o acolhimento emergencial em uma plataforma real de cidadania, dignidade e novas possibilidades de futuro.
Foto: David Adesiyan/SMADS
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