Notícia na íntegra
Festival do Patrimônio reúne público em todas as regiões; programação continua neste domingo

Com uma programação descentralizada e variada, o Festival do Patrimônio – São Paulo, Cada Olhar uma História, neste sábado (15), reuniu atividades em todas as regiões da cidade. O público participou de uma verdadeira imersão cultural, com cursos, exposições, visitas guiadas e apresentações musicais. Quem passou pelos espaços do evento elogiou a estrutura, a organização e a segurança, organizadas pela Prefeitura.
Neste domingo (16), último dia do Festival do Patrimônio, a programação continua com atrações musicais, atividades históricas e muito mais. E ainda dá para circular pela cidade com o Domingão Tarifa Zero. Veja a programação aqui.
Um dos itinerários disputados foi a visita guiada pelo icônico Edifício Sampaio Moreira, um marco arquitetônico e cultural da cidade, realizada pelo programa Vai de Roteiro. O Edifício Sampaio Moreira, na Rua Líbero Badaró, 350, foi construído entre 1923 e 1927 e, com seus 13 andares, já foi o prédio mais alto de São Paulo. Projetado por Christiano Stockler das Neves e Samuel das Neves, foi um dos primeiros edifícios da cidade construídos em concreto armado e se destaca pela arquitetura eclética. Restaurado e adaptado, o prédio abriga a Secretaria Municipal de Cultura desde 2018.
No entorno do Edifício Sampaio Moreira e em todo o seu quarteirão, o grupo Festa de Reis, do Parque Novo Mundo, na Zona Norte, que existe há 15 anos, fazia a festa para quem passava Essa foi a primeira vez que o grupo participou do Festival do Patrimônio.
“Nós atuamos com cultura popular de tradição, como o Bumba Meu Boi, Mamulengo e Cortejo, com essas brincadeiras, cantigas e cultura tradicional para todos”, disse Juarez Ferreira, fundador do grupo. “Viemos fazer esse cortejo e trazer as tradições de Minas Gerais, Maranhão e Bahia”, completou.
A produtora do grupo, Karin Menezes, ressaltou a importância de levar a arte para diferentes espaços da cidade. “Mais do que difundir o artista é levar arte para quem não tem acesso. Quando levamos arte para a rua estamos dando acesso a essas pessoas.”
Presente de aniversário
O técnico de telecomunicações Jair do Carmo, de 40 anos, prestigiou o Festival do Patrimônio no Centro da cidade com a família. “Nós somos de Cuiabá, no Mato Grosso. Acabamos de chegar e viemos passear aqui no Centro.”
Jair e a esposa, Paula Soares, 39 anos, escolheram São Paulo como destino para as celebrações do aniversário de 15 anos do filho, Pedro Henrique Soares. “Eu escolhi vir para São Paulo porque é uma cidade muito bonita, histórica e com muitos lugares para conhecer”, disse Pedro.
A empresária Claudinéia Santos, 52 anos, moradora da Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, participou do Festival do Patrimônio pela primeira vez. Ela, que gosta de prédios históricos, disse que não podia perder a oportunidade de conhecer o Edifício Martinelli.
“Eu amo São Paulo. O Festival é super importante porque nos dá a oportunidade de conhecer verdadeiramente o Centro. Pretendo voltar.”
Valorização da cidade
Guilherme Tonelli, 30 anos, estrategista de marketing e creator, também participou pela primeira vez do Festival do Patrimônio. Morador da Bela Vista, ele disse que estava ansioso para conhecer a iniciativa.
“É muito importante que as pessoas conheçam a cidade de São Paulo, conheçam quais são os prédios que existem aqui e as histórias que têm por trás, para que possamos valorizar esse patrimônio e pensar a cidade que a gente quer para o futuro”, destacou.
Além de apresentar patrimônios históricos da cidade, o Festival oferece diversas atrações, e Guilherme já tinha planos para todo o fim de semana. “Eu vou também no Festival Metrópole, que está acontecendo no Viaduto do Chá, e fazer um tour pelo Cemitério da Consolação. Amanhã vou aproveitar mais os shows e programação cultural lá na Avenida São João”, completou.
O morador da República e designer Vitor Freitas, 25 anos, costuma passear pelo Centro todos os sábados e, neste, parou para acompanhar a apresentação do grupo Maracatu Sem Nome e Sem Endereço, em frente à Prefeitura.
“Achei interessante, gostei bastante. Agora vou passar na São João, depois passar pelo triângulo do Centro. Gosto de andar por aqui.”
Fotografias: história e memória
Também no Centro, a Biblioteca Mário de Andrade recebeu o curso “Preservação de Imagens e a Construção da Memória”, que teve uma classe lotada. A atividade abordou procedimentos de conservação de imagens, no campo da fotografia e do audiovisual, com orientações práticas para salvaguardar e cuidar de registros que ajudam a preservar histórias individuais e coletivas.
A administradora Salli Sato, 52 anos, moradora da Vila Mariana, na Zona Sul, adora fotografia e resolveu participar do curso para aprender a conservar o acervo do pai, já falecido, que gostava de registrar momentos em família. “Tenho muitas fotos, vídeos e negativos de fotografias que eram dele. Acho importante aprender a preservar todo esse material que carrega muitas histórias”, disse Salli. “Fiquei sabendo do curso pelo Instagram e me inscrevi na hora.”
O hoteleiro Guilherme Faria, 20 anos, também participou da atividade. “Eu me interesso muito pela fotografia e por isso esse curso chamou a minha atenção.”
Cientista social e fotógrafa, Marcela Sonim, 37 anos, trabalha na área de conservação de fotografia, audiovisual e arquivística e ministra o curso. Segundo ela, existem muitas dúvidas sobre como preservar fotografias digitais, fotos antigas, álbuns de família e outros registros. O objetivo da atividade é justamente compartilhar esse conhecimento com o público.
“A gente traz uma introdução sobre o que é a preservação de imagens, a importância dela para a construção da memória social. A ideia é justamente trazer para as pessoas como elas podem armazenar melhor as fotografias delas, os vídeos delas, para que essa história individual construa também uma história social.”
Marcela também deu algumas dicas sobre como preservar registros fotográficos. “Fotos digitais: imprimam elas. Não deixem na nuvem porque você pode perder toda sua história se der algum problema no servidor. Guardem em álbuns de foto. Plástico, se estiverem em boa temperatura e pouca humidade, garantem que nossas fotos durem um bom tempo.”
Jornada do Patrimônio por toda a cidade
No Butantã, Zona Oeste, no Museu Cidade de São Paulo, na Praça Monteiro Lobato, o público pode conferir a exposição “Alfred Usteri: a botânica do tempo”, que começou neste sábado. A mostra resgata, por meio dos estudos de Alfred Usteri, a relação entre urbanização e meio ambiente em São Paulo no início do século 20, além de destacar políticas públicas e pesquisas botânicas que mapearam a flora paulistana e deram origem a jardins e parques. A exposição também pode ser conferida neste domingo (16).
Em Sapopemba, na Zona Leste, o público participou na manhã deste sábado do “Rádiopemba: Música e Memória”, um percurso guiado que explora a história da migração nordestina na região por meio da música e da escuta. O roteiro passa por espaços de convivência do bairro, articulando relatos, moradores, sonoridades e memórias que revelam o papel dos migrantes como construtores da cidade.
Já na EMEF Nilce Cruz Figueiredo, no Lauzane Paulista, na Zona Norte, aconteceu o curso “História e memória da Zona Norte de São Paulo: a trajetória do Lauzane Paulista”, que apresentou aos participantes histórias sobre a transformação do bairro, incluindo a construção do Lausanne Paulista Futebol Clube.
“Jabaquara Negro: caminhos de quilombo e memória na Zona Sul de São Paulo” foi outra ação do Festival. A caminhada apresentou ao público aspectos da história negra do bairro do Jabaquara, destacando elementos do território que revelam a presença afro-brasileira na formação da cidade de São Paulo.
Historicamente, o Jabaquara foi um território estratégico de circulação e abrigo para pessoas negras escravizadas em deslocamento, funcionando como ponto de passagem entre a cidade de São Paulo e o litoral paulista, especialmente em direção ao Quilombo do Jabaquara, em Santos.
A programação continua neste domingo (16), último dia do Festival do Patrimônio, com atividades em diferentes regiões da cidade. Entre as opções estão atrações musicais, visitas, roteiros, exposições e atividades relacionadas à história e à preservação do patrimônio paulistano. A aqui programação completa.
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