Secretaria Municipal da Saúde
Acompanhamento contínuo nas UBSs melhora o controle do diabetes e a qualidade de vida dos pacientes

Quando começou a emagrecer sem explicação, a costureira Maria Vieira dos Santos Sousa, de 65 anos, percebeu que algo não estava bem. O diagnóstico veio após uma consulta médica: diabetes descompensada, com risco de complicações graves. Encaminhada para o Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dom Luciano Bergamin, equipamento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), localizado na zona sul da capital, Maria passou a receber acompanhamento multiprofissional, orientações sobre alimentação, uso correto da insulina e monitoramento frequente da glicemia.
Desde então, sua rotina mudou. “Depois que comecei a participar do grupo, aprendi a cuidar melhor da minha alimentação, tomar a insulina corretamente e entender os sinais do meu corpo. Hoje tenho mais segurança porque sei que a equipe acompanha a gente de perto”, conta.
Maria participa regularmente dos encontros promovidos pela UBS e realiza consultas periódicas e, atualmente, mantém o diabetes controlado. Histórias como a dela refletem um cenário cada vez mais desafiador para a saúde pública. O diabetes mellitus, especialmente o tipo 2, é uma das principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e exige estratégias permanentes de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado longitudinal.
Sobre o diabetes
O diabetes é uma doença crônica caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. O diabetes tipo 1 resulta de uma resposta autoimune que compromete a produção de insulina e costuma ser diagnosticado na infância ou adolescência. Já o tipo 2, responsável pela maioria dos casos, está associado à resistência à ação da insulina e a fatores como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, envelhecimento, hipertensão, colesterol elevado e histórico familiar, sendo cada vez mais observado também entre pessoas mais jovens.
O Inquérito de Saúde ISA Capital 2024 indica prevalência autorreferida de 11% de diabetes na população geral, chegando a 28,2% entre pessoas idosas. Dados do Centralizador Municipal apontam que, em abril de 2026, havia 977.881 pessoas com o diagnóstico registradas na rede municipal.
Cuidado contínuo e protagonismo do paciente
Também na Dom Luciano Bergamin, UBS rural localizada no distrito de Marsilac, o aposentado e taxista Antônio dos Santos, de 78 anos, encontrou no acompanhamento contínuo uma forma de reorganizar a própria saúde. Ele descobriu o diabetes em 2009, durante exames realizados antes de uma cirurgia. “Eu nem imaginava que estava com a doença, e ainda por cima que estava muito alta. Depois disso, comecei o acompanhamento na UBS e nunca mais parei”, lembra.
Hoje, Antônio participa do grupo de diabetes, realiza consultas regulares e incorporou novos hábitos à rotina. Mudou a alimentação, passou a caminhar e integra um grupo de dança duas vezes por semana. “Às vezes, dou uma escapadinha da dieta, mas o grupo ajuda a gente a voltar para os eixos. Aprendi que controlar o diabetes tem que ser contínuo para evitar complicações”, afirma.
O acompanhamento é realizado pela equipe multiprofissional da unidade. Responsável pelo grupo de Pamg da UBS, a enfermeira Jenyffer Juliana da Silva Sampaio destaca que o objetivo é transformar o paciente em protagonista do próprio cuidado. “Acompanhamos 31 pacientes insulinodependentes, e o grupo fortalece a adesão ao tratamento porque promove escuta qualificada, troca de experiências e orientações acessíveis”, explica.
Estratégias de prevenção e rastreamento
Para enfrentar o avanço do diabetes, a SMS vem fortalecendo ações de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral em toda a rede de Atenção Básica. “Temos uma linha de cuidado organizada, que inclui estratificação de risco, busca ativa e acompanhamento longitudinal dos pacientes”, explica Karina Dib, diretora da Divisão de Cuidados às Doenças Crônicas.
Entre as principais iniciativas estão os programas Viva a Vida com Diabetes e Avança Saúde - Diabetes, que ampliam o acesso ao diagnóstico, estimulam o autocuidado e fortalecem a adesão ao tratamento por meio de ações educativas, monitoramento glicêmico e atendimento multiprofissional. Somente na Semana de Intensificação da iniciativa, entre 18 e 22 de maio, foram atendidas 29.130 pessoas, das quais 6.833 apresentavam risco de desenvolver diabetes.
Além de consultas e exames, a rede promove grupos educativos, monitoramento regular da glicemia, controle de comorbidades e estratégias de busca ativa que permitem intensificar o acompanhamento dos casos de maior risco. As ações de prevenção também alcançam diferentes fases da vida. Entre crianças e adolescentes, incluem promoção da alimentação saudável, incentivo à atividade física e identificação precoce de riscos metabólicos, com apoio do Programa Saúde na Escola (PSE). Na Saúde da Mulher, o rastreamento do diabetes gestacional integra o pré-natal. Já as equipes de Saúde Bucal orientam sobre controle glicêmico, higiene oral, alimentação saudável e cessação do tabagismo, além de contribuírem para a identificação precoce de alterações bucais associadas à doença.
As 482 UBS da capital acompanham pessoas com diagnóstico confirmado ou fatores de risco para a doença. Desde 2021, cerca de 164 mil pacientes insulinodependentes foram acompanhados pelo Pamg, que fornece gratuitamente os insumos como glicosímetros, tiras reagentes, lancetas e recipientes para descarte adequado dos materiais utilizados.
O atendimento especializado continua nos Centros Especializados em Reabilitação (CERs), que acompanham pacientes com complicações como neuropatia periférica e pé diabético, oferecendo avaliação multiprofissional, prescrição de órteses e orientações de autocuidado articuladas à Atenção Primária.
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