Secretaria Municipal da Saúde

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2025 | Horário: 11:26
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CONTO DE FINAL DE ANO — “Quando a Vida Resolve Dançar”

 

A imagem é um desenho com quatro pessoas dançando
 

O nome de nossa querida voluntária e dos grupos de dança foram modificados, para preservar a privacidade da mesma.

CONTO DE FINAL DE ANO — “Quando a Vida Resolve Dançar”

Dizem que em algumas vezes, a vida sussurra antes de mudar, em outras vezes ela dança.

Para Paula o ano começou com um vazio que não cabia no peito, um silêncio pesado dentro de casa e a sensação de que os dias gritavam em seu peito e em sua mente, a ansiedade, o pânico eram parte do seu cotidiano. Cada manhã era igual à outra, e ela caminhava como quem carrega nos ombros algo que não sabia lidar.

Foi então que, em um episódio desesperador, um vizinho acolhedor a levou até sua família, que por sua vez a ajudou a atravessar a porta da Unidade de Saúde. Após diagnósticos confirmando a síndrome do pânico e ansiedade, e prescrições que não saíram exatamente como esperado, não sabia exatamente o que esperava para o futuro. Talvez um alívio. Talvez alguém que a ouvisse. Talvez apenas um motivo para continuar.

Recebeu mais do que isso: recebeu acolhimento. Recebeu um convite.

— Venha conhecer o Grupo “Dança da Vida” — disseram. — Às vezes, o corpo sabe caminhos que a mente ainda não enxerga.

Ela não acreditou muito. Dançar? Logo ela, que mal encontrava coragem para atravessar o próprio dia? Ainda assim resolveu tentar. E pela primeira vez depois de muito tempo, seus pés obedeceram a uma esperança tímida.

No começo, ela sentia que não pertencia àquele lugar. Chegava, olhava em volta, duvidava… e às vezes ia embora antes da hora. Mas havia algo naquelas músicas, nas risadas do grupo, na delicadeza da professora, que a fazia voltar. Voltava porque, por alguns minutos, esquecia do peso. Porque ali, entre passos desajeitados, o mundo parecia menos áspero.

Até que um dia, no meio de uma dança circular, algo dentro dela se partiu — ou talvez se abrisse. Memórias antigas, dores antigas, tudo veio à tona. Teve vontade de fugir. Mas antes que ela saísse, alguém segurou sua mão.

— Fica. A gente te ajuda a respirar — disse uma das participantes.

E foi assim, com um gesto pequeno, que a vida começou a mudar de verdade.

A professora, sensível ao brilho escondido, a chamou para conversar. E naquele encontro, ouviu algo que transformaria seu ano:

— Você acha que veio aqui para cuidar de si…, mas eu vejo que você também pode cuidar de outras pessoas. Já pensou nisso?

A pergunta abriu um espaço dentro dela, um espaço que fazia tempo que não existia. Primeiro, veio uma tarefa simples: organizar uma homenagem para os aniversariantes do mês. Depois, o convite inesperado:

— Por que você não cria uma dança para a campanha do “Outubro Rosa”?

E a partir deste convite, de paciente, se tornou voluntária, movida pelo desejo de cura e ressignificação, descobriu que podia ajudar na cura de outras mulheres, nasceu assim um grupo de dança: “As Divinas”.
Mulheres que dançavam não para acertar passos, mas para acertar a vida.
Mulheres que encontraram força no encontro, graça na vulnerabilidade e coragem no movimento.

Naquele outubro, ela não apenas dançou. Ela renasceu.

Vieram apresentações, projetos, palcos que ela nunca imaginou ocupar. Vieram convites de outras instituições. Vieram pessoas que queriam aprender com ela. E veio, sobretudo, um sentimento que há muito havia se perdido:

Um sentido de vida.

De uma mulher aprisionada em seus medos, nasceu uma voluntária.
De uma vida sem cor, nasceu uma história cheia de brilho.
De um corpo cansado, nasceu um corpo que dança e que faz dançar.
De uma fase escura, nasceu uma luz que agora ilumina outras vidas.

E assim Paula compreendeu:
Às vezes, a vida só precisa de um passo para recomeçar.
E quando a gente decide dar esse passo — mesmo com medo —
a vida dança junto.

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