Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026 | Horário: 07:03
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Cuidar desde o começo: Saúde acompanha crianças para além do consultório

Atendimento paulistano começa no pré-natal e inclui desenvolvimento, saúde visual, alimentação e ações nas escolas
A imagem regista um grupo diverso de adultos e crianças reunidos em fila num ambiente ao ar livre com um chão de terra batida e uma densa vegetação de árvores e bambus ao fundo. No centro do grupo sobressai um cavalo escuro selado, segurado pela rédea por uma mulher vestida com trajes de equitação, rodeada por vários adultos e crianças de diferentes idades que sorriem para a câmara. O grupo veste roupas casuais do dia a dia, destacando-se alguns chapéus de cowboy ou de abas largas em algumas pessoas e crianças, além de t-shirts coloridas e calças de ganga. Toda a cena transmite um ambiente comunitário e acolhedor, aproveitando a luz natural do dia

O terapeuta ocupacional José Manuel Batista Pinto com grupo de Equoterapia na zona sul da capital (Acervo/SMS)

Neste Dia das Crianças, a Prefeitura de São Paulo destaca o acompanhamento oferecido pela rede municipal de saúde da gestação à infância e até adolescência, com ações de prevenção, promoção da saúde e tratamento. De janeiro a agosto deste ano, a rede municipal registrou mais de 1,1 milhão de atendimentos a crianças de até seis anos. Em 2025, foram 1,6 milhão. 

Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), as equipes multiprofissionais atuam na prevenção, vacinação, avaliação do crescimento e desenvolvimento, alimentação e saúde bucal e visual, além de promover socialização e inclusão. Entre pessoas de 1 a 19 anos, foram registrados mais de 5,2 milhões de atendimentos na Atenção Básica em 2025, 42,3% a mais que em 2021, quando houve cerca de 3,6 milhões.

De acordo com Athenê de Marco Mauro, coordenadora da Área Técnica da Criança e do Adolescente da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o cuidado é compartilhado entre profissionais, família, escola e território. "O objetivo é identificar necessidades precocemente e oferecer a cada criança as condições para crescer e se desenvolver de forma integral”, afirma.

Cuidado começa antes do nascimento
No programa Mãe Paulistana, a assistência nas UBSs começa no primeiro trimestre da gestação, com consultas médicas e de enfermagem, exames, vacinação, vinculação à maternidade de referência e transporte gratuito para procedimentos relacionados à gravidez.

Em agosto deste ano, mais de 7,7 mil gestantes eram acompanhadas pela rede. Desse total, 5,3 mil realizaram sete consultas ou mais. No mesmo mês, 767 grávidas de alto risco foram cadastradas e 5,2 mil enxovais foram distribuídos.

De janeiro a agosto, também foram realizadas mais de 10,6 mil consultas mãe-bebê até sete dias após o parto. Nelas, são avaliadas as condições da criança, a recuperação da mãe, a amamentação, o autocuidado e o planejamento reprodutivo.

Nos primeiros dias de vida, outros exames ajudam a identificar problemas de saúde. Em 2026, foram realizados mais de 53,6 mil Testes do Pezinho Ampliados, que permitem o diagnóstico precoce de doenças metabólicas, infecciosas e genéticas. Outros 473 bebês prematuros passaram por exame para detectar a retinopatia da prematuridade, alteração que pode comprometer a visão.

Grupos acolhem diferentes necessidades
Nas diferentes regiões da cidade, as equipes desenvolvem atividades de acordo com as necessidades de cada território. Na zona sul, em Parelheiros e Marsilac, o terapeuta ocupacional José Manuel Batista Pinto, junto com a agente comunitária de saúde (ACS), Gislene Ferreira da Rocha Silva  e agente de promoção ambiental (APA), Cícera Iranilda da Silva Costa, realiza grupos com crianças de diferentes faixas etárias, com atividades lúdicas voltadas à socialização, ao comportamento e ao desenvolvimento.

Uma das iniciativas é o grupo Brincar e Aprender, da UBS Jardim das Fontes, que acompanha crianças atípicas mensalmente em sessões de equoterapia em parceria com o Rancho Boa Vista. O contato com o cavalo e com o ambiente ao ar livre estimula equilíbrio, coordenação motora e fortalecimento muscular, além de favorecer aspectos emocionais e sociais.

“Aqui, a gente valoriza as pequenas grandes vitórias das crianças, quando uma delas passa a participar de uma atividade que antes não fazia, consegue melhorar na escola ou começa a socializar mais. São conquistas que fazem muita diferença”, afirma o terapeuta.

O trabalho inclui parcerias com organizações como o Instituto Coexistência, que oferece atividades de capoeira, jiu-jítsu, informática e música.

É nesse ambiente que Cristiana Gomes da Silva acompanha os filhos gêmeos Thiago e Thierry, de 11 anos, nas atividades. Os dois são neurodivergentes e frequentam a UBS desde a infância. Segundo ela, os meninos avançaram na socialização e no desempenho escolar. 

“O Thiago aprendeu a ler e hoje consegue lidar melhor com as outras crianças. O Thierry também melhorou muito na socialização e na escola. A gente vai vendo essas pequenas mudanças e percebe o quanto é importante”, conta Silva.
Ela também destaca o apoio construído entre as famílias. “Uma ajuda a outra, a gente troca experiências, e me sinto muito apoiada pelos profissionais.”

A pedagoga Gabriela do Nascimento, mãe de Harry Andy Barbosa do Nascimento, de 7 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), percebe a evolução do filho. “De todos os lugares por onde ele passou desde bebê, esse grupo foi o único em que ele permaneceu e gosta tanto que pede para vir”, relata. Harry também participa e resume o que mais gosta nas atividades: “Brincar de pipa com o tio José”.

Ações envolvem alimentação, meio ambiente e escola
Na UBS Cidade Dutra, recém-inaugurada na região da Capela do Socorro, na zona sul, a equipe multiprofissional (eMulti) coordena cinco grupos voltados a diferentes faixas etárias e necessidades: “Pais e Filhos”, para crianças com atraso neuromotor; “Brincantes”, para crianças de 7 a 11 anos; “Tagarelinha”, com acompanhamento fonoaudiológico para crianças de 7 a 12 anos; “Oficina dos Saberes”, para estimulação cognitiva e motora de adolescentes de 12 a 18 anos; e “Leitura de Escrita”, para crianças e adolescentes de 8 a 16 anos.

“Os grupos são importantes para que consigamos não apenas dar um acolhimento adequado a todos, por meio de nossa equipe, mas também promover integração e troca entre os participantes”, comenta o gestor da unidade, Ricardo Amaro Barbosa de Lima.

Na UBS Celso Daniel, em Guaianases, zona leste, a nutricionista Carla Maciel Lisboa Leardi Lima coordena, em parceria com a psicóloga da unidade, um grupo para crianças com seletividade alimentar. Cerca de oito participantes, de 6 a 10 anos, participam de atividades com vídeos, desenhos, brincadeiras e práticas integrativas, como dança circular. Os responsáveis também são envolvidos no processo.

Na mesma região, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA)/UBS Chácara Cruzeiro do Sul desenvolve o projeto Horta Viva, do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (Pavs), para crianças e adolescentes de 5 a 15 anos, neurodivergentes e neurotípicos. Os participantes acompanham todas as etapas do cultivo, do preparo do solo à colheita, em atividades que estimulam os sentidos, a interação social e o contato com a alimentação e o meio ambiente.

Saúde que chega às escolas
Em parceria com a Secretaria Municipal da Educação (SME), a SMS promove ações de saúde no ambiente escolar. Entre novembro de 2023 e abril de 2026, o Avança Saúde Oftalmologia realizou mais de 285 mil atendimentos, incluindo 80 mil consultas oftalmológicas, e entregou mais de 65 mil óculos gratuitamente a estudantes de 664 escolas municipais. Já o Programa Saúde na Escola (PSE) leva ações educativas e de promoção da saúde aos estudantes, com participação das equipes multiprofissionais. Em 2026, foram realizadas 2,6 milhões de ações educativas.

Da gestação à infância, a rede municipal acompanha o crescimento, identifica necessidades de saúde e promove o desenvolvimento e a autonomia das crianças, com participação das famílias, dos profissionais de saúde e das escolas.

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